Futuros Amantes




Caminhava perto da rodoviária de Brasília quando encontrei uma carta jogada no chão. Papel de caderno, escrito a mão e bem dobrado. Letra bonita, bem desenhada. Olhei para os dois lados. Ninguém parecia sentir falta daquela folha. Esperei um pouco mais. Saquei a mensagem do chão.
Era uma carta de amor. Um adolescente se declarava para uma garota. Reconheci no meio de tantas gírias indecifráveis frases como “você faz parte do meu coração” em vários trechos. Gostei muito da mensagem, mais ainda da atitude do escritor. Que coragem!
Diante da rapidez que amores vão-e-vem aos 16 anos, penso ser possível que ele já tenha esquecido dela daqui uns poucos meses. Por outro lado, lembro da intensidade dos amores quando se tem 16 anos. É possível que ele não conseguisse imaginar sua vida sem ela quando escreveu essa carta.
Fiquei feliz ter sido escrita a mão em tempos de tantos e-mails. Termina com um telefone e um pedido, “me ligue”. E claro, havia “eu te amo” em letras garrafais no final.
A julgar pela forma como encontrei a carta, no chão, jogada na sarjeta, desconfio que seja um amor não correspondido. Uma pena. Se essa mensagem chegar até você, queria primeiro te pedir desculpas por ter lido tamanha intimidade. Mas também queria te dizer que a vida é assim mesmo. Haverão muitos outros amores, meu caro. Alguns correspondidos, outros não. Então, desfrute o luto... mas não desista do amor. Se quer um conselho, algo que te acalante um pouco, deixo algumas palavras do velho Chico para ti:
“não se afobe, não; porque nada é para já. O amor não tem pressa, ele pode esperar”.

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